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sábado, 17 de setembro de 2011

A história por traz do Match entre Capablanca e Alekhine - 1927


 

Capablanca
Alekhine

 O que aconteceu na disputa entre Capablanca e Alekhine pelo título máximo do xadrez, em que  o cubano foi derrotado pelo jovem aspirante? Será que o então campeão mundial foi derrotado por ele mesmo ou realmente o desafiante era indiscutivelmente melhor? Acompanhe alguns fatos da época e tire suas próprias conclusões!!!



Após o Torneio de New York, 1927, Capablanca estava autoconfiante demais (já que havia ganhado uma das 4 partidas do match contra Alekhine) e não se preparou para o combate.

Alekhine, enquanto isto, continua sua preparação, muda-se para a Europa e vence Kecskemet, invicto.

Antes do match, estas eram as opiniões sobre Alekhine:

Spielmann


Alekhine não ganhará uma partida sequer (Spielmann)




bogoljubow


O resultado será 6 x 3 a favor de Capablanca (Bogoljubow, sendo que Nimzowich e Maroczy tinham opinião semelhante)



De fato e de um modo geral a opinião popular era a favor da vitória de Capablanca e até aqueles que apostavam numa vitória do desafiante, eram comedidos em suas palavras colocando condições para a vitória como por exemplo:

Dr. Em. Lasker

Alekhine pode obter bom resultado contra Capablanca se não jogar em La Habana (Lasker, 1924)


Tartakower

Capablanca venceu Londres, 1922 porque era Campeão Mundial; Lasker, New York, 1924 como se fosse Campeão Mundial; mas Alekhine venceu Baden-Baden como um verdadeiro Campeão Mundial (Tartakower)


Richard Reti


Alekhine pode vencer se jogar como em Baden-Baden, 1925 e conseguir dominar os nervos (Reti)






Antes de viajar a Buenos Aires, Alekhine disse: Não sei como poderei vencer 6 partidas de Capablanca, mas também não sei como ele poderá ganhar de mim.

Até aquela data, Alekhine não havia vencido Capablanca em seus 11 confrontos:

San Petesburgo, 1913
2 derrotas
San Petesburgo, 1914
2 derrotas
Londres, 1922
1 empate
New York, 1924
2 empates
New York, 1927
1 derrota e 3 empates

Capablanca estava tão confiante que antes do match, participou no Brasil de uma atividade desgastante: uma sessão de simultâneas. Mas o castigo veio, e na 34ª partida do match, após 2ª suspensão, Capablanca envia uma carta ao adversário felicitando-o pela vitória, sem, contudo apresentar-se no salão de jogo nem assistir o banquete em que Alekhine foi proclamado Campeão Mundial.

A inimizade mútua perdurou até a morte. Alekhine sempre encontrava pretextos para evitar o match revanche contra Capablanca nas suas diversas tentativas. Escolheu como adversários Bogoljubow (2 vezes) e Euwe, convencido que os venceria facilmente.

Será que Capablanca teria vencido a revanche? Jamais saberemos, pois se bem que o cubano foi um jogador genial, esta foi a melhor fase de Alekhine.

Após Buenos Aires, encontraram-se nos seguintes Torneios:

Nottinghan, 1936
Capablanca vence não somente Alekhine como também o Torneio.
A.V.R.O. , 1938
(Holanda)
Empatam no 1° turno (oferecido por Capablanca por intermédio do árbitro) e Alekhine vence no 2° turno.
Torneio das Nações, 1939 (Buenos Aires)
Última vez que se encontram, porém sem se enfrentarem. Capablanca obtém a melhor pontuação do 1° tabuleiro, e enquanto o público o aclamava, Alekhine com clara demonstração de desagrado, abandona a sala.


Ao estourar a II Guerra Mundial, tentou-se organizar o match revanche, já que ambos tiveram de permanecer na Argentina. Mas Tartakower avisou:
Não percam vocês o tempo. Esse encontro jamais se realizará, pois Capablanca sabe que Alekhine pode voltar a vencê-lo, e Alekhine sabe que ele é o único que pode derrotar-lhe.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Capablanca V.S. Alekhine


   A rivalidade que existiu entre estes jogadores é notável. E por isso se faz necessário apresentar alguns fatos interessantes na trajetória destes que foram sem duvidas dois dos melhores enxadristas que o mundo já viu!!!


"Capablanca é referido por vários historiadores da modalidade como o Mozart do xadrez, uma vez que o seu brilhantismo desde cedo se evidenciou".


     Aos quatro anos teria aprendido as regras do xadrez simplesmente observando o seu pai a jogar. Conta-se que Capablanca teria visto o seu pai fazer uma jogada ilegal com o cavalo, acusando-o de fazer batota e seguidamente explicando-lhe o que teria feito.

Com doze anos de idade Capablanca derrotou o campeão de Cuba, Juan Corzo, obtendo o resultado de 4 vitórias, 2 derrotas e 6 empates.

    Em toda a sua carreira, Capablanca sofreu menos de cinquenta derrotas em jogos oficiais, conseguindo ainda o feito de estar invicto durante oito anos consecutivos, de 1916 a 1923 inclusive, uma série de 63 jogos sem perder incluindo a vitória no campeonato do mundo. De fato, apenas Marshall, Lasker, Alekhine e Rudolf Spielmann ganharam dois ou mais jogos "a sério" do já amadurecido Capablanca, embora levem desvantagem no total dos confrontos, Capablanca vs Marshall +20 -2 =28, vs Lasker +6 -2 = 16, vs Alekhine +9 -7 =33, exceto Spielmann que tem o resultado empatado +2 -2 =?. Dos jogadores de topo, apenas Keres tinha vantagem nos confrontos com Capablanca +1 -0 =5, note-se que esta vitória foi conseguida quando Capablanca já tinha cinquenta anos de idade.
Na tarde de 7 de março de 1942, no Clube de Xadrez de Manhattan, Capablanca subitamente sofreu uma severa dor de cabeça e começou a perder a consciência. Foi levado às pressas ao hospital e na manhã seguinte, nos braços de sua mulher Olga, morreu de hemorragia cerebral… Havana enterrou seu herói nacional com honras de Estado.




O primeiro feito de Alekhine no mundo de xadrez foi em 1909, aos dezessete anos, quando venceu o torneio russo de xadrez para amadores, disputado em São Petersburgo, com um resultado de doze vitórias, dois empates e duas derrotas.
   Em 1927 Alekhine tirou de Capablanca o título de campeão mundial de xadrez.Apesar de acordado nas condições impostas para que o match decorresse que haveria direito a desforra, Alekhine recusou-se a jogar a desforra, em vez disso jogou dois matches contra Efim Bogolyubov, que não era da mesma craveira (Capablanca tinha um registo de 5-0 contra ele). Alekhine recusou-se mesmo a jogar os mesmo torneios que o seu rival (Capablanca).


    Durante a Segunda Guerra Mundial, Alekhine jogou em diversos torneios na Alemanha e em territórios ocupados por esta nação. Em 1941 apareceram artigos anti-semitas intitulados Aryan and Jewish Chess, sob o seu nome no Pariser Zeitung. Apesar de investigações intensas, não se conseguiu comprovar se os artigos foram mesmo escritos por Alekhine. Após a guerra foi considerado persona non grata pelos organizadores de torneios.
    Alekhine veio a falecer num hotel do Estoril em Portugal, enquanto se preparava para um match para defender o seu título de campeão do mundo contra Botvinnik. Pensa-se que a sua morte, um assunto muito controverso e ainda debatido, se deva ou a um ataque cardíaco, ou a ter sufocado enquanto se alimentava. A este propósito alguns investigadores mais recentes apontam a hipótese de Alekhine ter sido espião (possivelmente alemão) durante a 2ª Guerra e ter sido vítima de homicídio (notar que Lisboa era então uma importante praça giratória da espionagem mundial). A FIDE financiou o funeral, e os seus restos mortais foram transferidos para o Cimetière du Montparnasse, em Paris, em 1956.